MG: Médico é condenado a 21 anos de prisão por morte e retirada ilegal de órgãos de menino

Nessa terça-feira, 19, o médico Álvaro Ianhez, 77 anos, foi condenado a 21 anos e 8 meses de prisão, por causa da morte do Paulo Veronesi Pavesi, na época 10 anos, pelo Tribunal do Júri, em Belo Horizonte. Esse caso aconteceu no dia 19 de abril de 200 em Poços de Caldas, Minas Gerais.

A criança havia caído de uma altura de 10 metros no prédio onde morava. Ele sofreu traumatismo craniano sendo levado as pressas ao hospital da Santa Casa de Misericórdia. Dois dias depois do ocorrido os médicos responsáveis atestaram a morte encefálica do menino. No mesmo dia, o menino teve seus órgãos retiradas para transplante.

Na sentença, o réu foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e pelo agravante de a vítima ter menos de 14 anos. A defesa de Álvaro pediu que ele recorresse da decisão em liberdade, mas o juiz negou a solicitação devido à “gravidade do crime”.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público apontou Ianhez como um dos que causaram a morte de Paulo Veronesi. Também ressaltou que o interesse da equipe médica era de usar os órgãos do menino em outros pacientes.

Testemunhos

O pai do menino, Paulo Airton Pavesi, prestou o seu depoimento de forma online, pois reside atualmente em Milão, na Itália.

Álvaro Ianhez também acompanhou o julgamento online, já que ele estava em São Paulo.

O advogado Dino Miraglia, que representa a família do menino, afirmou que Álvaro era o diretor da Santa Casa na época e ainda tinha uma clínica de transplante de órgãos.

Outros acusados

Em janeiro de 2021, os médicos, José Luiz Gomes da Silva e José Luiz Bonfitto, que participaram do caso, foram condenados a 25 anos de prisão.

Já o médico Marcos Alexandre Pacheco da Fonseca foi absolvido pelo júri.

O que diz o pai do menino

Após a condenação, o pai do menino divulgou alguns vídeos nas redes sociais no quais criticou o fato de Álvaro Ianhez ter sido julgado por videoconferência.

“Não foi fácil, foi muito cansativo, eu passei muito mal durante o dia, ansiedade, estresse, eu passei muito mal, eu pensei em não ir para o julgamento para fazer o testemunho e pensei em ir para o hospital, mas aí eu consegui me acalmar.”

“O réu Álvaro Ianhez, o assassino do meu filho, o réu confesso, não está participando do julgamento, está em casa, em outro estado, não está em Belo Horizonte, é a primeira vez que vejo um réu participar de um julgamento do sofá da casa dele, é um absurdo, ele não tem nenhuma defesa, não tem absolutamente nada que desminta as denúncias que fiz até hoje”, completou.

Mesmo com a condenação, Paulo Airton não acredita que o médico será preso. “O tribunal sabia que os habeas corpus foram negados e ele sairia preso do tribunal, por isso, fizeram o acordo para ele ficar em casa. Porque se ele vai, sai o mandado para ele ser recolhido. Ele vai fugir e esperar habeas corpus para dar liberdade para ele responder com recursos de mais 15, 20 anos, em casa.”

“Ele matou uma criança de 10 anos de idade e outros sete pacientes, ele removeu os órgãos do meu filho enquanto estava vivo, ele não teve clemência, ele não teve um pingo de sentimento pelo meu filho e agora eu passo a entender tudo que está acontecendo. Ele sabia da impunidade, já estava tudo acertado”, finalizou.

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