Motolâncias agilizam serviço do SAMU na capital

Agilidade. É nisso que as motocicletas, chamadas motolâncias, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), se destacam. Assim como as demais viaturas ofertadas pelo serviço, estas são equipadas com material necessário para fazer o atendimento pré-hospitalar (APH), tanto clínico quanto de trauma de vítimas. “A proposta do nosso trabalho é nos deslocar o mais rápido possível no trânsito para fazer os primeiros socorros”, explica o enfermeiro Raphael Martins, do Grupamento de Motociclistas em Atendimento de Urgência (GMAU). 

Justamente pela composição dos equipamentos e insumos embarcados, aliados à facilidade de locomoção em locais de difícil acesso ou trânsito congestionado (dependendo do dia, horário e local da ocorrência), as motos se destacam sendo fator estratégico, mesmo não podendo realizar o deslocamento de vítimas. “No SAMU, as demandas são acolhidas pela Central de Regulação de Urgência através do número 192. Dependendo da situação e da gravidade do caso, a intervenção das motos de resgate pode ser decisiva no fator tempo desde o chamado até a primeira equipe no local e início dos procedimentos”, pontua o diretor do Samu, dr. Victor Arimatea. O objetivo do serviço é diminuir o tempo de resposta nos atendimentos, principalmente os casos mais graves. 

Os atendimentos prestados pelas motolâncias ocorrem desde o ano de 2009, sempre em dupla. A equipe, desta forma, é composta por técnico de enfermagem e enfermeiro. “Nesse sentido, as viaturas podem ser acionadas e, ainda que percorrendo distâncias maiores ou demorando mais tempo para chegar até o local do incidente, as primeiras medidas já são iniciadas pela equipe da motolância”, comenta o titular. O motivo de serem duplas é pelo fato de um material complementar o outro, ocupando dois baús carregados com desfibrilador automático (DEA), talas de imobilização, medicamentos, entre outros. 

A cobertura de duplas de moto do Samu distribui-se em todas as regiões de atendimento do DF. Somente em 2021 foram mais de três mil operações registradas pela Central de Regulação. Hoje, são 10 duplas de motolâncias, totalizando 20 motocicletas disponíveis em todo o Distrito Federal. “Em situações de maior gravidade, o fator tempo é decisivo. Muitas vezes a intervenção da equipe das motos é capaz de realizar os protocolos completos, reverter as situações, e até retirar o paciente do espectro de risco”, afirma o diretor do Samu. 

Em geral, as motolâncias atuam em ocorrências severas, abrindo passagem para as ambulâncias no trânsito. Todavia, devido à alta demanda e ao grande número de chamados, também atendem algumas ocorrências moderadas, onde o transporte do paciente pode não ser necessário. Nestes casos, o indivíduo pode ser estabilizado no local. “O trânsito é um dos nossos maiores desafios. Já prevemos alguns riscos, mas é gratificante ver que temos um retorno imediato da população. As pessoas agradecem na hora pelo nosso trabalho”, observa o técnico de enfermagem do GMAU, Guilherme Bonfim. O acionamento das motos pode acontecer tanto pelo médico regulador mediante avaliação inicial do pedido de socorro, quanto como apoio, uma vez identificados fatores como quantidade de vítimas, necessidade de chegada rápida em locais e horários de pico, acidentes automobilísticos. 

Ainda segundo Victor, a composição dos recursos destinados à assistência populacional pré-hospitalar deve incluir uma combinação que se adapte às necessidades locais. “Temos recursos terrestres com viaturas básicas, avançadas, motos, recursos aéreos com a parceria do SAMU com os Helicópteros de resgate do CBMDF (Grupamento de Aviação Operacional – GAVOP), inclusive recursos aquáticos do CBMDF que atuam em incidentes com embarcações e afogados no lago Paranoá, por exemplo”, destacou o doutor. 

Ele ressalta ainda que, em muitas situações, mais de um recurso é atrelado à mesma ocorrência. “No local, cada equipe e cada profissional complementa, em habilidade e atribuição, para o sucesso final de uma operação de socorro. A moto é mais um desses elementos que compõem esse arsenal de recursos”, acrescentou, salientando que cada um possui suas particularidades e todos são necessários para a garantia de um serviço de excelência. “Trata-se de profissionais, que seguem treinamentos rigorosos e adaptados aos equipamentos que utilizam e ao cenário em que atuam. São sem dúvida alguma, profissionais selecionados, e especialistas em suas funções”, finaliza. 

Como conta o enfermeiro Raphael Martins, a velocidade e a necessidade de correr contra o tempo para salvar uma vida geram muita adrenalina em quem pilota uma das motolâncias do Samu. “Saímos da base com todo aquele gás, e o nosso desafio é manter o equilíbrio emocional, principalmente em atendimentos pediátricos, pois mexe demais com o nosso psicológico”, compartilha o profissional. 

Para Guilherme Bonfim, uma das maiores dificuldades que eles encontram nos atendimentos é localizar endereços. Por essa razão, ele destaca a importância de informar o ponto de referência correto na hora de registrar a ocorrência na Central 192. Tanto Guilherme quanto Raphael atuam na base do Samu da QNJ, em Taguatinga.

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