De cada 10 crianças brasileiras, 3 estão sem vacinas contra doenças potencialmente fatais

Isabella Menon
São Paulo, SP

A cada dez crianças brasileiras, três não receberam vacinas contra doenças potencialmente fatais, aponta um levantamento realizado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para as Crianças).
O estudo usou dados do PNI (Plano Nacional de Imunizações) de crianças menores de cinco anos em todas as regiões do país.

Os números mostram que a imunização contra a tríplice viral, que inclui sarampo, caxumba e rubéola, caiu de 93,1%, em 2019, para 71,49% em 2021. Já a cobertura contra a poliomielite caiu de 84,2%, em 2019, para 67,7%, em 2021.

A queda na cobertura vacinal acontecia desde 2015, mas a situação se agravou em meio à pandemia da Covid-19. Para a oficial da saúde do Unicef Stephanie Amaral, muitas famílias acabaram deixando de levar as crianças para vacinar devido ao medo de serem infectados.

“A crise sanitária agrava uma situação que já estava sendo observada”, diz ela, que aponta que, em 2015, a cobertura da tríplice viral e poliomielite era acima de 95%.

Segundo Amaral, estudos do próprio Unicef apontam que o principal motivo para a não vacinação é a desinformação. Como muitas dessas doenças foram eliminadas no país, as pessoas acabam esquecendo que elas existem e desistem da imunização, afirma ela. Um exemplo é a poliomielite, que teve o último caso registrado no Brasil em 1989.

“As novas mães, pais e profissionais da saúde não tiveram contato com essas doenças e existe essa tendência de se achar que está tudo bem, que não precisa mais vacinar porque essas doenças não são vistas mais”, diz ela que alerta que esse é um pensamento errôneo.

Amaral faz inclusive um paralelo com o que aconteceu com a Covid-19. “Foi uma doença que começou em um continente e se espalhou para todos os outros porque vivemos em um mundo globalizado”, diz ela. Da mesma forma, segue ela, doenças como poliomielite e sarampo ainda estão em circulação em alguns países. A falta de vacinação, portanto, poderia deixar o Brasil vulnerável ao retorno delas.

Ela lembra ainda que o sarampo chegou a ser considerado erradicado no Brasil, mas acabou voltando –em 2019, foram mais de 20 mil casos.

Além da desinformação, outra explicação para a falta de adesão à vacinação é o medo de reações adversas. Amaral, porém, diz que os riscos para esse tipo de reação são muito baixos. “É muito mais provável que uma criança seja prejudicada por uma doença do que por uma vacina”.

Os números apontam que a região Norte do Brasil tem a situação mais preocupante. O Amapá, por exemplo, só vacinou 42,9% das crianças contra a poliomielite em 2021 e 58,3% com a tríplice viral.

Amaral afirma que outro estado que tem levantado um alerta é o Rio de Janeiro, que, em 2021, sóregistrou 52,3% de vacinação das crianças contra a poliomielite e 56% com a tríplice viral.

A baixa da cobertura vacinal tem sido registrada em outras partes do mundo. Na América Latina e Caribe, por exemplo, também foram registrados milhares de casos de sarampo.

“Os estudos mostram que na Europa também teve uma diminuição da cobertura vacinal, mas lá está mais associado a fake news, famílias que já tem uma situação financeira melhor e decidem não vacinar as crianças porque acreditam em outros tratamentos”, diz a oficial de saúde.

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