“O surdo tem que ser visto capaz de realizar qualquer atividade”, diz presidente de entidade

Por Marco Antonio Dutra e Diogo Medeiros
Agência de Notícias do CEUB/Jornal de Brasília

O Brasil recebe, entre 1º e 15 de maio, um evento esportivo mundial que é um dos mais tradicionais da história: as surdolimpíadas. A competição é o segundo campeonato mundial de esportes da história do mundo, sendo mais antigo até que as Paralimpíadas.

Ainda assim, o evento ainda procura maior reconhecimento e valorização por parte do público. Na 24ª edição, o torneio promete mudar este panorama, com a intenção de possibilitar que os atletas consigam o devido reconhecimento.

Entretanto, não é apenas a deficiência que os atletas enfrentam, uma vez que, mesmo no Brasil, muitos competidores fizeram campanhas em suas redes sociais buscando patrocínios e incentivos financeiros para arcar com os custos de passagens, materiais e outros fatores necessários para participar.

Um dos pontos intrigantes sobre a competição é o motivo de ser separada das Paralimpíadas. “A Surdolimpíada foi criada em 1924, em Paris, enquanto as Paralimpíadas surgiram somente no fim da Segunda Guerra Mundial para os lesionados no conflito terem uma oportunidade de recomeçar suas vidas. Os Jogos são separados pois os surdos não tem deficiência física e nem motora que atrapalhe o seu desempenho”, explica o presidente do Comitê Internacional de Esportes para Surdos (ICSD), Gustavo Perazzolo.

Infraestrutura
Sobre o investimento na infraestrutura e no incentivo aos atletas, o chefe do ICSD comenta que foram investidos milhões de reais no projeto que pretende deixar um legado para toda a cidade e região.

Nesta edição, o Brasil terá a maior delegação da história, com 199 atletas inscritos. Assim, o presidente disse que estava trabalhando com sua equipe para que esses jogos sejam inesquecíveis, com a novidade de que os jogos serão transmitidos ao vivo, via streaming. Além disso, outro atrativo na atual edição é a Praça Surdolímpica, que irá integrar as diferentes culturas que estarão em Caxias do Sul.

Para quem quer conferir presencialmente o evento, os ingressos serão gratuitos e a equipe está trabalhando firme neste sentido de divulgação. “Estamos atuando forte na divulgação através da imprensa, dos nossos canais oficiais nas mídias sociais e em ações de engajamento com a comunidade local”, esclarece Perazzolo.

O público alvo da competição são os surdos, mas além disso será uma oportunidade de inclusão do surdo na sociedade, pois, segundo o presidente do ICSD, o surdo tem que ser visto como alguém totalmente capaz de realizar qualquer atividade.

Por fim, Perazzolo disse que espera deixar uma marca além do esporte. “O legado da infraestrutura é certo. Muitas melhorias estão sendo feitas em espaços públicos, que ficarão para a cidade usufruir. Mas o maior legado é que a sociedade passe a incluir o surdo”, finaliza.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

O post “O surdo tem que ser visto capaz de realizar qualquer atividade”, diz presidente de entidade apareceu primeiro em Jornal de Brasília.