Após câncer, mulher tem perna amputada e corre 104 maratonas em 104 dias

Uma sul-africana de 46 anos começou a correr depois de ter uma das pernas amputadas por causa de um câncer e, agora, pode entrar no Livro dos Recordes (Guinness World Book) após correr 104 maratonas em 104 dias.

Em 2002, quando tinha 26 anos, Jacky Hunt-Broersma foi diagnosticada com Sarcoma de Ewing, um tipo raro de câncer ósseo. Para salvar sua vida, os médicos tiveram que amputar a perna esquerda dela duas semanas depois.

Em entrevista ao site BBC britânico, Jacky disse que nos primeiros dois anos lutou com a mudança de vida. Ela se sentia com raiva e envergonhada e usava calças para esconder a prótese.

A corrida entrou em sua vida apenas em 2016. Acostumada a ver o marido participar de provas, ela disse que nunca pensou em fazer isso. Mas, por “capricho”, decidiu comprar uma prótese especial para o esporte e se inscreveu em uma prova de 10 km. Na véspera, no entanto, mudou sua inscrição para meia maratona (21 km) e nunca mais deixou de correr. “Sou uma pessoa de tudo ou nada, então me joguei. Adoro ultrapassar limites e ver até onde posso ir”, disse à BBC.

Em 15 janeiro deste ano, colocou a si própria um novo desafio: o de bater o recorde de maratonas consecutivas. Inicialmente, queria correr por 100 dias seguidos, mas resolveu fechar o mês de abril. Neste período, Jacky correu 42 km todos os dias consecutivamente e, no último sábado, completou sua 104ª maratona. “Parte de mim estava muito feliz por ter terminado. E a outra parte continuou pensando que eu preciso correr.”

Jacky disputou provas famosas como a maratona de Boston e Lost Dutchman do Arizona. Além disso, correu em pistas locais, trilhas do bairro e até mesmo na esteira de casa, em um total de 2.734 milhas (aproximadamente 4,4 mil km).

Ela documentou tudo nas redes sociais e agora espera ser certificada pelo Guinness Book pelo feito. A organização do Livro dos Recordes informou à agência de notícias AP que levaria cerca de 12 a 15 semanas para revisar as evidências e certificar o recorde.

Também pelas redes sociais, arrecadou US$ 88 mil (R$ 439 mil), que pretende doar para uma ONG que fornece próteses de corridas para amputados.

Jacky diz que as corridas têm ajudado ela na parte mental. “Correr fez uma grande diferença no meu estado mental e me mostrou o quão forte meu corpo pode ser. Isso me deu uma nova aceitação total de quem eu sou e que posso fazer coisas difíceis.”

O próximo desafio já está na agenda. Em outubro, Jacky pretende correr o Moab, uma corrida de 240 milhas (cerca de 386 quilômetros), em Utah, nos Estados Unidos.

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