Dia das Mães: em barracos de ocupação, grávidas sonham com futuro para filhos

Por Luiz Eduardo Certain
Agência de Notícias do CEUB/Jornal de Brasília

Sobrevivência e esperança são os presentes que duas jovens grávidas, em uma ocupação na Asa Norte, esperam como presente de Dia das Mães, a data que tem apelo comerciar. Thais Gonçalves da Silva, de 28 anos, e Evellyn, de 15, estão em situação de extrema vulnerabilidade ao viver em barracos e desempregadas.

Thais vive nas ruas da capital desde os 19 anos. Para ela, que é mãe de quatro filhos e espera o 5°, o dia das mães foi comemorado apenas uma vez. “Quase nunca teve alguma coisa. Eu só tive uma vez (dia das mães) com o meu filho mais velho, de 12, que me deu um jogo de pratos. Ele vigia carros no centro de Brasília. Nesse dia, não sei nem como ele conseguiu arrumar isso.”

Thaís conta que apesar da saudade, optou por deixar dois filhos sob o cuidado de sua própria mãe e dois sob a guarda de sua ex-sogra. “É ruim, mas pelo menos estão com a minha família. Eles tão comendo, dormindo… Não estão passando o que eu estou passando”. Apesar de nunca ter estudado, Thais pede que os filhos estudem. “Meus filhos não trabalham, porque eu não deixo. Eles só estudam, graças a Deus. Eu desejo tudo de bom para os meus filhos, que eles sejam advogados e que eles sejam melhores do que eu.”

A vida nas ruas é puxada para Thais, grávida de 4 meses. “Tem vezes que eu estou bem menos cansada e eu vou trabalhar com reciclagem, mas quando eu não dou conta, eu vou para o sinal pedir, ou para a rua. Eu não roubo nada de ninguém, Graças a Deus”, explica.

Apesar de um pé de manga atravessar o teto do barraco onde mora, a fome e a sede ainda estão presentes em seu cotidiano. Durante as madrugadas, frequentemente, não se tem água e a mangueira só dá frutos no verão.

A segurança também não é garantida. Além disso, ela lamenta que muitas vezes agentes de fiscalização do DF derruba a ocupação em que reside. “Eles vêm mesmo, derrubam tudo como vocês podem ver. Eu tinha o meu barraco, eles derrubaram e levaram tudo”.

Adolescente

Evellyn*, 15 anos, também faz parte da mesma ocupação e está grávida de 7 meses. A adolescente diz que divide o tempo entre a casa da sua mãe, na Cidade Estrutural, e o barraco do namorado. Ela fica no local para ajudá-lo na reciclagem e porque é perto da escola pública onde cursa o ensino fundamental.

A adolescente explica que voltou a estudar por conta da gravidez. ‘Foi uma surpresa, não é? Não foi planejado.” Apesar do choque, Evellyn ainda tem o apoio da mãe e voltou a estudar. “Eu quero dar um bom futuro para ela. Quero que ela cresça e consiga realizar todos os sonhos dela, por isso eu não penso em parar de estudar.”

Hoje, o sonho da menina grávida é ser professora de libras (língua brasileira de sinais) para um dia ter sua própria casa. “Lá na minha antiga escola, tinha uma pessoa surda. Então, um professor que ensinava e aí, eu achei lindo e fui me interessando”.

Evellyn conta que assim que a bebê chegar ela voltará para a casa da sua mãe, pois a vida na ocupação é muito difícil para criar uma criança.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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