Bolsas de NY fecham em forte queda, em meio a preocupações com aperto do Fed

Os mercados acionários de Nova York fecharam em queda robusta, nesta segunda-feira, pressionados pela perspectiva de aperto monetário agressivo pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), diante da escalada inflacionária. No radar dos investidores, também está a desaceleração da economia da China, afetada por lockdowns para conter surtos da covid-19.

O índice Dow Jones fechou em baixa de 1,99%, em 32.245,70 pontos, o S&P 500 caiu 3,20%, a 3.991,26 pontos, e o Nasdaq recuou 4,29%, a 11.623,25 pontos.

“Fala-se em recessão, à medida que os mercados começam a precificar uma série de aumentos nas taxas de juros”, diz Danni Hewson, da AJ Bell. “Se alguém esperava que uma nova semana traria uma mudança marcante no sentimento, eles estão com uma séria decepção”, completa.

O presidente da distrital do Fed em Atlanta, Raphael Bostic, afirmou nesta segunda-feira que espera “dois ou três” novos aumentos de 50 pontos-base nos juros, antes de uma possível pausa para que o processo seja reavaliado. Já o presidente da distrital de Minneapolis, Neel Kashkari, admitiu que o arrefecimento dos preços está demorando mais tempo do que ele esperava.

De acordo com Edward Moya, da Oanda, a inflação parece destinada a permanecer “teimosamente alta”, o que forçará o Fed a apertar a política a níveis que comprometerão o pouso suave esperado pela maioria dos operadores. “As ações estenderam quedas depois que a pesquisa do Fed de NY mostrou que as expectativas de inflação de longo prazo aumentaram, provocando temores de um crescimento mais fraco que provavelmente levaria a uma recessão”, destacou, em relatório enviado a clientes.

O levantamento da distrital de NY mostra que a mediana das expectativas de inflação no horizonte de um ano recuaram de 6,6% em março a 6,3% em abril. Já para três anos elas avançaram de 3,7% a 3,9%. A pesquisa ainda mostrou que, para os consultados, a incerteza sobre a mediana da inflação futura é a mais alta da série histórica para o curto prazo, ficando inalterada, mas também na máxima histórica, no horizonte de médio prazo.

Na China, o crescimento das exportações desacelerou novamente em abril, desta vez atingindo o nível mais baixo em quase dois anos Para o Julius Baer, é esperado que o crescimento econômico chinês seja marcado por uma forte desaceleração no atual trimestre e talvez no próximo. “A queda no crescimento das exportações em abril ressalta a extensão em que a ação rigorosa para conter o coronavírus prejudicou a atividade econômica por meio de paralisações na produção e entrega de mercadorias”, destaca. Já a Capital Economics chamou a atenção para a demanda mais fraca do exterior, inclusive dos EUA.

Entre os destaques em Wall Street, o setor de energia do S&P 500 caiu mais de 8%, diante da queda do petróleo. Papéis da Chevron, ExxonMobil e Occidental Petroleum despencaram 6,63%,7,85% e 10,93% respectivamente. Aéreas também tiveram queda, com American Airlines (-8,52%), Delta Airlines (-6,71%) e Boeing (-10,47%). Entre as big techs, Microsoft (-3,67), Intel (-2,71%) e Alphabet (-2,70%) tiveram queda.

Estadão Conteúdo

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