Tachos de cobre e colheres de pau estão liberados para produção de doces artesanais

Uma audiência pública realizada pela Comissão Extraordinária de Turismo e Gastronomia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), presidida pelo  Deputado Estadual Mauro Tramonte, derrubou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 20, de 2007, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que restringia o uso do tacho de cobre na produção de doces artesanais de Minas Gerais – agora, os produtores podem voltar a usar o utensílio para fabricação de seus produtos e manter viva a tradição mineira.



Os produtores podem voltar a usar o utensílio para fabricação de seus produtos e manter viva a tradição mineira

Estiveram presentes na reunião, e puderam comemorar o feito, produtores de doces artesanais, professores de Gastronomia e Engenharia Química e representantes do segmento. A frente do movimento, Rosilene Campolina, educadora de gastronomia da UNA, brindou o momento dizendo: “Uma das principais atrações de Minas Gerais é a sua cozinha, repleta de valores e tradições. Não é à toa que Belo Horizonte recebeu o título mundial Cidade Criativa da UNESCO pela Gastronomia, e os doces tradicionais, feitos no tacho de cobre e mexido com a colher de pau são parte disso”, disse.


Mesmo com o anúncio da volta do uso do tacho de cobre no ramo alimentício de Minas Gerais, a notícia não é nova, pois a regra já estava em vigor há um ano

Nova regra

Mesmo com o anúncio da volta do uso do tacho de cobre no ramo alimentício de Minas Gerais, a notícia não é nova, pois a regra já estava em vigor há um ano. Mas o que se altera nessa nova atualização é que, antes, que o tacho de cobre só podia ser utilizado caso fosse revestida, pasmem, com ouro, prata ou estanho, pratica que alterava a cor, a textura e o sabor dos doces.  Agora a nova regra permite o uso do tacho sem o revestimento, mas os produtores deverão apresentar aos fiscais sanitários o processo produtivo do alimento e cumprir os padrões estabelecidos pela Vigilância Sanitária.



Mesmo com o anúncio da volta do uso do tacho de cobre no ramo alimentício de Minas Gerais, a notícia não é nova, pois a regra já estava em vigor há um ano

Nesse sentido, a professora enfatiza que a educação será um papel fundamental para que a informação chegue até os produtores de doce artesanal. “Agora, é preciso pensar em elaborar cartilhas que decodifiquem a informação sobre a mudança na lei e orientar os produtores para a importância da limpeza e higienização corretas do tacho de cobre”.

Para Gláucio Peron, produtor artesanal de doces em Poços de Caldas, sul de Minas,  a decisão não poderia ter vindo em melhor hora.


“Um povo é o que é devido um arcabouço de cultura, costumes, crenças e tradições. E quer tradição maior do que a culinária local?”, comentou o produtor

“Um povo é o que é devido um arcabouço de cultura, costumes, crenças e tradições. E quer tradição maior do que a culinária local?A Cozinha Mineira é o retrato de Minas Gerais, simples em elementos, mas rica em sabores e experiências. Graças a Deus a justiça foi feita. E uma heresia contra a nossa tradição que foi retratada. Foram 15 anos de proibição que nos foi imposta sem um estudo detalhado. Simplesmente eles achavam que poderia fazer mal a saúde e proibiram. Depois que os estudos foram realizados a exemplo da Dra Amazile Biagioni Maia, é que  mostrou que o cobre não faz mal, aliás muito ao contrário, ele é importante para nós humanos.

“Foi um típico caso que acontece no Brasil, de se prender um inocente porque ele não tinha dinheiro para pagar um advogado para defendê-lo. Aí é preso por 15 anos, a Justiça vê o erro e resolve soltá-lo. Aí te pergunto, como fica esse indivíduo perante a sociedade? É a mesma questão do tacho de cobre e da colher de pau. Quase um ramo inteiro desapareceu. Muitas doceiras largaram o ofício, outras entraram em depressão impedidas de poder exercer a sua profissão. Agora precisamos correr atrás desse prejuízo gastronômico e econômico!”.



Para isso salienta Peron, está se desenvolvendo uma associação de produtores de doces artesanais que visa unificar o setor e reconhecer e valorizar a Doçaria Mineira, para que esse ofício não se perca com o passar dos anos.

Para o chef Edson Puiati, coordenador da FGM (Frente da Gastronomia Mineira) o momento é oportuno para pleitear junto ao poder público ações para incentivar os pequenos produtores de doces. “A liberação do tacho de cobre e colher de pau, símbolos de nossa cozinha em especial a doçaria, põe o setor em evidência, agora vamos trás de políticas públicas para o nosso setor.”

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