Do alto da torre entrevista Ibaneis Rocha

À frente nas pesquisas de intenção de voto, o governador e candidato à reeleição Ibaneis Rocha não vê problemas em conviver com uma presidência de Lula, caso ambos sejam eleitos. “A relação entre governador – especialmente o do Distrito Federal – e presidente tem que ser institucional, respeitosa. O governador é o hospedeiro do governo federal. Isso não vai mudar”, explica. Na hipótese de um eventual segundo turno, Ibaneis avisa que “todo apoio é bem-vindo, mas não a qualquer preço”. Em um novo mandato, Ibaneis pretende ampliar a rede de saúde pública, quer ampliar o número de escolas de gestão compartilhada e tem planos para construção de moradia. Entretanto, alerta: “nós estamos acabando com essa triste tradição de invadir para depois regularizar que vem desde a inauguração de Brasília”. Em vez disso, quer trabalhos como o Itapuã Parque, onde estão sendo construídas 12.400 residências, com todos os equipamentos públicos, como escola, posto de saúde.

1.   À luz das últimas pesquisas, a vitória no primeiro turno ainda é provável?

Eu trabalho com pesquisa todo o tempo. Foram os resultados delas, aliás, que me convenceram a disputar um segundo mandato, ao saber que a população aprovou a administração. Pesquisa é um ótimo instrumento para governar, para buscar direcionamentos, para definir prioridades. O resto eu deixo com os especialistas

2.   Numa eventual vitória sua e de Lula a presidente, acha que a relação entre os dois pode ficar abalada, dado o seu apoio ao presidente Bolsonaro manifestado nesta eleição?

         A relação entre governador – especialmente o do Distrito Federal – e presidente tem que ser institucional, respeitosa. O governador é o hospedeiro do governo federal. Isso não vai mudar. Não tenho uma relação de proximidade com o presidente Bolsonaro, mas mantenho o respeito necessário, até porque há uma interdependência. O Presidente da República terá sempre o respeito devido.

3. Em um eventual segundo turno, quais as alianças que procuraria costurar?

Todo apoio é bem-vindo, mas não a qualquer preço. Vamos procurar convergências, buscar grupos que tenham como prioridade o bem do Distrito Federal e que possam colaborar com um projeto coletivo.

4.      Leitores do Jornal de Brasília, assim como pesquisa nacional do Datafolha, mostram que a maior preocupação dos eleitores é com a saúde. Como o senhor pretende enfrentar esse problema no DF em um eventual segundo mandato?

A saúde é o problema mais preocupante em todo o País. A pandemia agravou o sistema público em todas as cidades e no Distrito Federal não foi diferente. Nossos planos de expansão da rede foram muito prejudicados pelo massivo investimento que foi feito no combate à covid, mas ainda assim fizemos um hospital novo, duplicamos dois, construímos sete UPAs, reformamos e equipamos as outras seis, fizemos 10 novas UBSs, reformamos duas, contratamos milhares de médicos, enfermeiros e técnicos. É preciso lembrar que a saúde é problema antigo; um retrato do descaso dos governos passado era um equipamento comprado por um milhão de dólares e que estava encaixotado nos corredores do Hospital de Base quando assumi. Hoje, esse superpetscam está instalado no Centro de Medicina Nuclear que fizemos e atende a dezenas de pacientes com câncer todos os meses. Ainda estamos fazendo mais: ampliando dois hospitais, UPAs, UBSs e temos projetos para fazer dois hospitais de 100 leitos, um em São Sebastião e outro no Recanto das Emas, e um de 150 leitos no Guará, além de 17 novas Unidades Básicas de Saúde e terminar o grande Hospital do Câncer Jofran Frejat. O cuidado com a saúde tem que ser permanente, procurando melhorar sempre, porque a gente tem consciência de não está bom.

5.      O sr. pretende avançar no programa de participação de Policiais Militares na gestão disciplinar de escolas públicas de Brasília?

As escolas de gestão compartilhada já estão incorporadas ao sistema público de educação. Quero chegar a 40 escolas neste modelo, já que há procura de pais e alunos por ele. Não estamos substituindo a escola tradicional, apenas oferecendo uma alternativa e que vem sendo muito bem aceita – nossas pesquisas indicam uma aprovação de mais de 80%. Nós vamos ampliar também o número de escolas profissionalizantes. Já entregamos a de Brazlândia, para 2.400 alunos, estamos terminando as obras em Santa Maria e Paranoá e quero fazer pelo menos mais quatro escolas neste modelo.

6.      Quais são as suas propostas para incentivar o mercado de trabalho e diminuir o desemprego na capital?

Isso já está sendo feito. O desemprego tem recuado fortemente nos últimos meses, com uma redução significativa. Criamos mais de 60 mil empregos depois da pandemia, o que mostra o acerto das nossas medidas, porque o DF saiu muito forte da crise. É um trabalho que vai continuar, seja com as obras públicas que geram muitos postos de trabalho, seja com incentivo às empresas que já vem nos procurando. Veja o caso dos gigantes da logística como Amazon ou atacadistas que embora não gerem muitos impostos, criam muitos empregos. É um trabalho de atração de grandes empregadores que vai continuar, principalmente agora em que estamos concluindo as obras de infraestrutura das Áreas de Desenvolvimento de Ceilândia, Santa Maria e Samambaia. 

7. Brasília tem crescido, e isso demanda mais moradias. Sabemos que existem projetos habitacionais em andamento, como o do Itapoã Parque, mas muitos ainda não conseguiram seu imóvel. Em um possível próximo mandato, como pretende ajudar as famílias carentes a conseguirem um lar?

Nós estamos acabando com essa triste tradição de invadir para depois regularizar que vem desde a inauguração de Brasília. Veja o Itapuã Parque, por exemplo, onde estão sendo construídas 12.400 residências, com todos os equipamentos públicos, como escola, posto de saúde. Isso vai ser repetido no Recanto das Emas e em Planaltina, onde temos a previsão da construção de grandes áreas habitacionais, com o objetivo de entregar 80 mil moradias no próximo mandato. Vamos regularizar e urbanizar áreas como 26 de setembro e Maranata, mas não queremos parar por aí, oferecendo áreas para a habitação de todas as classes sociais.

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