Vendedor suspeito de dar golpe usando app de namoro é preso em SP

Alfredo Henrique
São Paulo, SP

O vendedor Renan Augusto Gomes, 35, foi preso por volta das 9h desta quinta (22) em São Paulo sob suspeita de aplicar golpes em ao menos sete mulheres por meio de aplicativos de relacionamentos. Ele estava foragido desde 30 de dezembro e foi detido na zona norte após uma perseguição.

As investigações da Polícia Civil, em parceria com a Promotoria criminal da região do ABC, indicam que o suspeito agia na internet desde 2012 e que aplicava golpes em todo o estado de São Paulo.

Gomes nega as acusações, segundo o seu advogado, Emerson Martins. Ele afirmou que seu cliente não havia ainda se apresentado à polícia, apesar de estar foragido, por alegar ser inocente.

O vendedor começou a ser investigado após conseguir R$ 150 mil de uma professora, com a qual se relacionou por cerca de quatro meses, em 2021, aponta o processo do caso.

A vítima, segundo a polícia, desconfiou da constante troca de números telefônicos de Gomes, após ela emprestar-lhe o dinheiro. Ele não a atendia mais nem a procurava.

O fato de ele manter perfis em redes sociais de namoro aumentou ainda mais as dúvidas da mulher, que registrou um boletim de ocorrência em uma delegacia de São Bernardo do Campo, no ABC, ao perceber que não conseguiria recuperar o valor.

Um inquérito policial, de estelionato, foi instaurado pela Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) da região metropolitana, que gerou a abertura de um processo, feito pelo Ministério Público. A prisão de Gomes foi decretada pela Justiça em 30 de dezembro.

“O ardil que ele usa para seus golpes é justamente a manipulação dos sentimentos” afirmou a promotora criminal Érika Pucci, em entrevista na tarde desta quinta. Até o momento, foram identificadas sete vítimas, com idades de 34 a 40 anos.

Os valores obtidos com os golpes varia de R$ 1.100 a R$ 150 mil.

“Tenho certeza de que há outras vítimas. Ele continuava ativo nas redes sociais [de namoro], mesmo foragido, inclusive cooptando novas vítimas”, disse a promotora. Uma possível oitava vítima seria ouvida pela polícia ainda nesta quinta.

Na descrição de seu perfil no Tinder, Gomes afirma morar sozinho nos Jardins, região paulistana de alto padrão, sem filhos. “Estou solteiro há um ano, entrei no aplicativo em busca de um relacionamento sério, se você busca por sexo ou diversão, por favor pule o meu perfil”, afirma trecho da apresentação.

O aplicativo de relacionamentos não havia se posicionado até a publicação desta reportagem.

O suspeito, de acordo com a polícia, valia-se dessa falsa apresentação para se aproximar das vítimas, inclusive frequentando os círculos sociais e familiares delas, ganhando confiança para agir.

Após isso, ele mencionava emergências, para as quais solicitava valores às mulheres. “Em regra ou ele dizia que caía na malha fina da Receita Federal, precisando pagar uma multa para desbloquear as contas dele, ou quitar um veículo ou até mesmo para a compra de uma medicação”, disse a promotora. O suspeito também propunha parceria em negócios, que nunca aconteciam.

Prisão A polícia de São Bernardo do Campo monitorava a rotina de Gomes, havia alguns dias, na zona norte paulistana. Foi observado que ele dormia em endereços diferentes a cada dia.

Na madrugada desta quinta, uma campana foi montada em frente ao imóvel onde ele estava, em Pirituba. Ao ser abordado, quando saía com seu carro da garagem, o vendedor acelerou e passou a ser perseguido pelos policiais.

De acordo com o delegado Miguel Ferreira da Silva, titular da Deic de São Bernardo, o vendedor chegou a invadir um estacionamento de shopping durante a fuga. “O condutor da viatura percebeu que havia condições de bater na traseira dele [suspeito], que acabou perdendo o controle do carro e batendo em uma árvore. Mesmo depois do acidente, ele tentou fugir, afirmando que não iria se entregar”, afirmou.

O momento em que o carro policial colide contra o veículo do suspeito foi registrado em vídeo por um celular.

A polícia identificou ainda que o suspeito mudava constantemente o número de seu telefone, além de usar nomes falsos em redes sociais, para continuar a aplicar seus golpes.

O suspeito seria encaminhado a um Centro de Detenção Provisória da região, ainda nesta quinta, segundo a polícia. A defesa dele afirmou que iria entrar com um novo de pedido de habeas corpus, com o intuito de que ele responda ao caso em liberdade.

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