‘Coloquem a mim na fogueira santa’, diz Zambelli sobre Bolsonaro e Michelle na maçonaria

Mônica Bergamo
São Paulo, SP

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) elaborou nesta quarta-feira (5) um comunicado em que faz críticas a publicações nas redes sociais que associam o presidente Jair Bolsonaro (PL) à prática da maçonaria. No documento, a parlamentar sugere que pode estar em curso uma perseguição religiosa “assim como fizeram com os judeus”.

Na terça-feira (4), as expressões “maçonaria”, “decepção”, “Bolsonaro satanista” e “traidor” figuraram entre os assuntos mais comentados das redes. A comoção foi motivada por um vídeo antigo do presidente em uma loja maçônica que voltou a circular.

“Algumas das imagens que estão sendo compartilhadas são montagens toscas”, diz Zambelli, em nota enviada à coluna. “Ainda assim, grandes jornais que passaram os últimos quatro anos acusando a direita de manter um suposto ‘gabinete do ódio’ entraram na onda e fizeram reportagens com títulos sensacionalistas: ‘Bolsonaro está mesmo ligado ao ocultismo?'”, continua.

Em 2020, Zambelli celebrou em uma loja maçônica de Brasília sua união com o coronel Antônio Aginaldo de Oliveira. Fotos do casamento foram resgatadas e agora somam-se à discussão sobre o suposto envolvimento de Bolsonaro com a maçonaria.

A primeira-dama Michelle Bolsonaro, os então ministros Abraham Weintraub (Educação), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Sergio Moro (Justiça) e a atriz Regina Duarte estavam entre os convidados. Nesta quarta, publicações nas redes sociais passaram a questionar a presença de Michelle no local.

“Sou católica e me casei em um templo maçom, onde me senti muito acolhida. As fotos foram divulgadas na época. Qual foi minha surpresa ao saber que estão usando as imagens de um momento lindo para fazer um ataque maciço ao presidente”, diz Zambelli.

“Bolsonaro é um democrata que sempre conversou com pessoas de todas as crenças, faz parte de seu cargo como político”, segue.

No documento, a parlamentar ainda afirma se preocupar com a “guerra de narrativas” contra o mandatário nesta véspera de segundo turno das eleições. E se coloca à disposição para ser uma espécie de escudo do presidente.

“Se querem colocar alguém na fogueira santa, coloquem a mim. Se querem perseguir alguém por causa de religião, assim como fizeram com os judeus, venham atrás de mim. Essa associação é injusta, mas acredito que, como toda história de ficção, não vai durar mais algumas horas”, afirma ela.

A controversa gerada pelo vídeo em que Jair Bolsonaro discursa a maçons atinge uma base importante de seu eleitorado: os evangélicos.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a maçonaria não é um movimento religioso, mas inclui elementos alegóricos e místicos que levam muitas igrejas cristãs a desconfiarem ou mesmo proibirem que seus fiéis se tornem maçons.

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